sexta-feira, novembro 20

sexta a noite.

Quando se sente, aquilo especial. Real e realmente...
a chuva é mais quente, o branco mais colorido;


Foi em Novembro, numa tarde que já estava perdida no centro. Sozinha, pediu um cappuccino duplo e sentou na mesa mais próxima da janela. Enquanto entravam fugindo da chuva que caia do lado de fora, ela agradecia a garçonete pela xícara e admirava o exterior. A cada gole, uma infinidade de gotas escorria pelas ruas, levando tudo que não resistisse a sua força, e ela sorria. Alegremente de saber que por toda a cidade, e água levava tudo aquilo que o vento não tirou do lugar antes, estava sozinha, e fascinada. Pensava que se tivesse um amor, não estaria de forma alguma lá dentro, e sim o beijando na chuva. Deixaria o amor a levar.
Dentre os muitos que entravam, ele entrou. Com o casaco encharcado, guardou as chaves do carro no bolso, e reclamou da ausência de sinal no celular. Sentou no balcão e pediu um café, mandou um olhar de desprezo pro trânsito na rua.
Por um segundo, ela largou a chuva na cidade, e ele não prestou atenção no café que tinha acabado de ser posto sobre o balcão. Eles se olharam, e ele automaticamente sorriu. Ainda bem que o trânsito estava insulportável, que a chuva caia sobre todos os lugares; ele agradeceu quietamente por isso. Ela por sua vez, teve uma vontade louca de levar alguém pro lado de fora (de novo). 
Quem não se surpreende com os fins de tarde no caos ?

 Eles não terminaram num beijo, bem longe disso. Uma hora depois aproveitavam uma conversa banhada a café aguado de chuva, sentados num banco qualquer de praça, encharcados até a garganta, jogando conversa fiada desde metereologia (e como pra uma chuva inesperada aquela estava sendo agradável) até confidências não tão secretas.
O ósculo mesmo nunca chegou a acontecer em vida, eles não eram alma-gêmeas, seria perfeito demais. Mas se tornaram amigos, e por irônia, encontraram pessoas graças um ao outro. 
E para não dizer que não resistiram nunca a tentação, uma única vez escostaram seus lábios. Foi quando um deles morreu, e o outro com uma lágrima no rosto o beijou. Selaram assim tudo que tinham dito naquela misteriosa tarde, e tudo que foi dito depois. Guardaram todas as promessas, os segredos e a amizade. O que ficou, ao perceber a lágrima no rosto, olhou para a janela mais próxima ao caixão no velório, e viu que uma chuva branda caia. Pegou um copo de café, analisou a situação e sorriu. Aquele momento foi dedicado a pessoa especial. "Pena que ela não pode contempla-lo..." pensou. E como uma lembrança a ser relembrava, prometeu silenciosamente que a cada chuva acompanhada de café, ou cada café banhado na chuva -como preferir- um sorriso seria dado em homenagem ao amigo, e a cada noite que passase, um dia a menos seria pro reencontro dos dois.


Que a chuva te traga algo. - foi a frase que pairou pelo ar, desde o dia que eles se encontraram.

3 comentários:

- ! oi (:
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