Eu deveria beber pelo menos um gole e me soltar mais. Me deixar levar pela música pelo menos um pouco, relaxar. "Curtir" de verdade.
Viro o meu olhar pro bolso e aquilo me pareceu tentador, mais tentador ainda. Aquela pequena pílula me seduzia e me fazia deseja-la minha garganta abaixo.
Respiro fundo pela 32º vez no dia. Tinha alcançado o ápice de, por medo de curtir aquele lugar, contar quantas vezes eu respirava fundo e mesmo assim fracassava ao tentar relaxar.
A bebida no copo não passava de um enfeite, assim como a proximidade da mesa de aperitivos que, para um leigo que passasse por lá por pouco instantes, dava a entender que eu realmente esperava ou prentendia comer algo dali, e só não tinha achado a oportunidade certa.
O baladinha anos 80 que se estendia por aquela atmosfera, alta e convidativa, consquistou quase a todos do local, que sairam a dançar empolgadamente.
Nem isso conseguira me conquistar.
Volto a revirar o bolso e encarar a vermelhidão daquela pílula. Ela com toda a certeza mudaria esse meu estado de resistência em poucos minutos, e eu finalmente relaxaria, como se tivessem me prendendo até dado momento com uma corda e sem motivos a tivessem soltado no momento seguinte, me fazendo realmente fazer jus ao objetivo de estar ali. Essa idéia me tenta, mas me amedronta ao mesmo tempo.
Saio disfarçadamente da região da mesa de doces, e em poucos segundos me vejo no lado de fora.
Ah, isso sim me relaxa, quase num efeito instantanêo. A pílula continua a berrar meu nome em silêncio, mas agora está tudo muito mais controlavel.
A lua de alguma forma me deseja boa noite.
Sério que tu contou suas suspiradas no dia? Que foda isso!! ahahha
ResponderExcluir