sábado, março 6

Osculando

- Por favor, mais uma dose de vodka!
Meu copo foi enchido de bebida de novo. Analisei-o por poucos segundos, levei-o perto do nariz e senti o odor de álcool chegando até os meus pulmões. Virei o copo sem pensar e agora sentia o álcool queimar a minha garganta. Que dramática era essa situação.
No dia que te conheci você sussurou no meu ouvido que eu era genial e eu pude sentir a sua respiração quente e o seu hálito frio de quem acaba de tomar algo gelado no meu ouvido. Você estava com uma mão na minha nuca, e aproveitava isso para se aproximar mais, já a outra se mantinha segurando sua clássica dose de whisky. Meses depois, você já sabia que a sua mão na minha nuca me fragilizava e eu já sabia que o copo de whisky era sua tradição, a sua mania.
Você até chegou a falar que aquele era o nosso momento, quando você tinha uma mão no meu pescoço e a outra com um copo. Suas melhores perdições, nosso maior prazer.
Essas doses e as muitas taças de vinho a luz de velas, o gosto da sua boca já caracterizado pelo álcool, sempre na medida certa. Você fez o simples ato de virar um copo e sentir aquele líquido enchendo a minha boca e descendo pela minha garganta ao me embreagar ser nostálgico.
Agora eu estava ali e você não, e nada poderia mudar. Pelo menos era a idéia que estava fixa na minha mente. Nada poderia mudar.
Ignorei algumas lembranças que não queria lembrar, ignorei as pessoas ao meu redor e cheguei a ignorar até o cara do banco ao lado qeu aparentemente tentou em cantar.
Eu não estava triste, só de saco cheio. Só queria que você estivesse. E já que não estava me programei a ignorar tudo. Ignorância seletiva me deixava feliz, de certa forma. Fazia carinho no meu instinto de ser blasé, que só você conseguia quebrar por completo.
Era só mais uma noite, e ela logo iria acabar. Por sorte, todas as noites acabam. E eu não via a hora de ter um amanhã no qual você chegasse, e me acordasse com beijos.
Não há nada melhor do que um final de dia. Talvez acordar com seus beijos.





Eu acho que eu gosto de falar daquilo que eu não sei explicar, mas que me atrai.

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