quarta-feira, agosto 12

Terceira Hora – Um cemitério pode ser um labirinto.

“Nem todas as perguntas tem respostas,
mas algumas simplesmente não devem ser respondidas.”
“Acho que é hora de você me conhecer. Até aqui, sei que te causei muitas dúvidas, mas não me culpe, nós não fomos apresentados, o que é uma falta de educação dessa tal, não? Tenho muito prazer em finalmente me apresentar a você, apesar de ter que ressaltar um ponto em questão: é uma apresentação, não uma revelação. Esclareço algumas coisas a você, mas não posso te dizer o que mais queres saber.
Ainda não disse meu nome, mas precisa dizer? Sou um pedaço de você, a rosa da morte, ou como quiser.
Eu sou todas as suas respostas, desde ‘quem eu sou?’ até ‘da onde eu vim e para onde eu vou?’, e eu sei que você quer me desvendar, mas... não quero ver outra moeda cair, não a sua, me importo com você.
Poucas pessoas sabem que eu existo e agora você faz parte dessa minoria. É preciso ser humano demais pra me perceber e saber muito (até mais do que deve) para me entender ou querer, e por esse motivo e pelo que eu sou, eles existem e se unirão pra me proteger.
Agora sobre mim e, especialmente, sobre meu segredo, como já lhe disse anteriormente, basta saber que tenho a resposta de todas as suas perguntas e que sou parte de você, eu tenho a sua essência. Mas, me desculpe a grosseira, se respondo suas perguntas terás que me pagar com aquilo de maior valor que você tem... Sim, com isso mesmo que passou pela sua mente e te causou arrepio. E como também já lhe disse, me importo contigo para deixar tal ato acontecer.
Fora tudo isso, acho que só falta lhe informar um detalhe, deu minha hora e preciso ir. Peço-lhe por fim que não me esqueças, da mesma forma que lembrarei eternamente de ti...
Até Logo...”

- Um cemitério ? – Kimberly questionava James, que ainda estava meio sujo de sangue e pensava no porque Leonard, após abandoná-los no “castelo” poupando sua vida, seguiria até um cemitério.
- O túmulo da Rainha, provavelmente.
Alguns minutos após observar Leonard ser recepcionado pelo coveiro, eles resolveram pular o portão e entrar no recinto, seguindo os passos ainda frescos na grama úmida de orvalho dos dois cavalheiros...
Até chegarem a suntuosa arquitetura com o nome da Rainha.

- Leonard ..?
- Vida e morte, Julian... Como esperado.
- Darei meu jeito, agora vamos, tem meia hora. A quanto tempo não o vejo.
- É um prazer revê-lo de minha parte. Deu tudo certo com Elizabethy?
- Tudo, não se preocupe. Só falta você. – o coveiro disse abrindo o mausoléu ao convidado, que fez uma breve oração em memória ao cadáver, e entregando-lhe um envelope idêntico ao da moça que antes passou por lá – Aqui está sua parte. Agora vá!
- E os dois ?
- Eles chegaram até aqui, mas só saberão quando voltar ao amanhecer... – o tom da voz de Julian era malicioso e a frase foi acompanhada de um sorriso que dizia claramente isso, o que fez Leonard sorrir também.
- Até, Julian.

“Filha, te amo.
Por favor... faça isso, por mim!”
Anil. A lágrima voltou a escorrer por seu rosto, mas mais lágrimas não vieram. Foi um sacrifício chegar aquele local que nem parecia fazer parte da cidade urbana que ela vivia.
- Mamãe amava me trazer aqui...- A nostalgia a invadia ao olhar para todas aquelas árvores e plantas que ela brincava quando pequena, aquela era a pequena natureza que resistia a cidade, e era muito bonita.
- Elizabethy, desculpe meu atraso...
- Não estamos atrasados, Leonard- a voz aconchegante e a luz da lua refletindo em sua pele o fizeram sorrir, abobadamente- mas temos que ir.
Ele a seguiu pela estranha trilha secreta, era a favorita dela, até verem uma excêntrica rocha, uma caverna.
- Chegamos. - Elizabethy disse conduzindo-o para dentro. Em seu interior, bem em seu centro, tinha um buraco em cima de suas cabeças por onde o luar entrava, iluminando algumas palavras.
- Leonard ?
- Princesa, coloque a pedra aqui. – indicou ele a Elizabethy, que colocou a jóia que tanto protegia em uma cavidade, embaixo dos escritos.
- Eu vinha muito aqui quando criança, mas não lembro dessa escritura...- ela parecia meio confusa.
- Não era para se lembrar princesa, ela estava escondida...
- E o que dizem ?
Ele a puxou para junto de seu corpo fazendo-a acelerar seus batimentos cardiacos e perder a respiração. Ele era tão sedutor. Um beijo aconteceu.
3:00 - A lua alcançou o alinhamento perfeito e sua luz ao alcançar a pedra refletia por todo o lugar. Violeta. E os dois naquele ato longo, apaixonado e extasiado demoraram a perceber o que estava acontecendo. Era a cena perfeita.
- Você é agora a Rainha do silêncio. – Ele sussurrou no ouvido dela.
- Hã ?
- “Vos es iam Regina ex silentium”, você agora é a Rainha do silêncio, é o que está escrito. – disse, sorrindo para ela.
E ela só fez retribuir o sorriso.
Aquele dia nasceu vermelho e se pôs violeta. E só poucas pessoas, como Leonard, Elizabhety, e até James e Kimberly souberam o motivo.

FIM!

2 comentários:

  1. “Nem todas as perguntas tem respostas,
    mas algumas simplesmente não devem ser respondidas.”

    oh god :X


    bom, o namorado da autora é meio suspeito se dizer que gostou? ç_ç'

    mas poxa, ficou bom
    e vc dizendo qe nao ia ficar legal

    simples, e não simplorio
    sem deixar de lado aquela confusão de sempre ;x

    nhaii *-*

    parabens amor :x ♥

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  2. eeeeei, você escreve muito bem. *---*

    beijo.

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- ! oi (:
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