terça-feira, julho 28

Primeira Hora - Os Quatro.

O que nos incentiva é a vontade.
Não há lados na vontade, não há bom ou ruim.
O desejo vai além...


No mundo podemos dizer que existem quatro tipos de pessoa, quatro tipos de alma. Há aquelas que possuem a vida, outras a morte, e isso vai além do que elas sabem. Os maus comuns possuem tanto uma quanto a outra, eles tem o equilíbrio. Mas os mais raros possuem uma alma que não vivem, nem morrem, esses são os essenciais.
Possuir a vida ou a morte vai além da bondade ou da maldade, essas pessoas conseguem se reconhecer, e normalmente se dão bem. Kimberly e James seriam assim, e isso não é bom, nem ruim.
James andava pela rua ainda movimentada no centro da cidade. Sobretudo escuro, aquele cabelo levemente bagunçado preto, coturno, e principalmente, aquele ar de quem vive a morte. “E se fosse verdade ? Ele só ouvia boatos, mas não sabia nada além de ‘ele queria, ele precisava e ele iria possui - lá”. Ao seu redor podia se ver de prostituas a drogas, mas ele nem se quer olhava para eles... Mas alguém em especial o notou.
Kimberly, aparentemente uma menina ingênua com uma calça jeans e uma blusa branca que por algum motivo estava a andar por aquelas ruas aquele horário, mas ela não era tão menininha assim, ela era dotada de vida. E ela sabia que tipo James era, ela o notou.
Não perdeu mais tempo, correu atrás dele, parou na sua frente e disse:
- Eu posso te ajudar ! - uma voz convidativa, com um fundo de ingenuidade e sedução.
Ele a olhou bem no fundo de seus olhos por um instante e voltou uma leve risada, estava surpreso.
- Não esperava encontrar alguém como você por aqui, Está me propondo um “acordo” ? Também a deseja ?
- Esse não é o melhor lugar para isso, mas digamos que sim.
Os dois olharam para o edifício a qual estavam parados em frente, se olharam como se trocassem o mesmo pensamento e subiram até o terraço.
- Kimberly, prazer. – ela tinha uma voz doce, e ele gostava disso.
- James. – com simpatia.
Apoiaram no guarda-corpo e ficaram admirando a noite por uns instantes.
- Só pode ser hoje.. é com certeza essa noite a única chance de vê-la.
- Mas como ?
- Sabe, para nós se torna fácil. Basta sentirmos a essência.
- E os guardiões ? Sempre ouvi que a rainha...
- Ela está com somente um deles, só precisamos ter certeza disso.
- “A Rosa da Morte”... Quem imaginou que um dia colocariam numa pedra tal segredo ?
- Ela se perdeu com a morte da rainha, será fácil.

Leonard voltou para casa, sentia-se meio perdido, e , no fundo, com um pouco de medo, mas sabia o que tinha que fazer.
O mais importante era mantê-la nas próximas horas longe da vida e da morte.
O bem e o mal o consumiam... O medo e a vontade. Pegou o telefone e informou a todos sobre a situação, mas ainda precisava de uma coisa. Tirou a roupa, ligou o chuveiro; “E como Elizabethy estaria ..?”

Amarelo
Numa cafeteria a linda moça chega, pede um cappuccino duplo, senta em uma mesa próxima a janela e olha no relógio.
12:30
Coloca os fones de ouvido, tira um pequeno bloco de papel da jaqueta e começa a fazer várias anotações. Hora de organizar os fatos.
- Senhora, o cappuccino. – A garçonete coloca-o em cima da mesa e ela assente com a cabeça.
Minutos depois ela tira os fones e olha pela janela o movimento das pessoas na rua.
“E como será que ele estará, Elizabethy ?”
Deu um leve suspiro, guardou o bloco, deu um ultimo gole no cappuccino já frio e olhou o relógio.
12:58
- Hora de ir, não ?
Verde.

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